Do interior para o litoral: Café do Lago ganha destaque na Baixada Santista
Publicação do Jornal da Orla apresenta o empreendimento de Elias Fausto entre as experiências gastronômicas e rurais do interior paulista
Redação Revista Receita de Turismo | 03/08/2026
Mais do que uma mesa farta, o café colonial representa um legado de hospitalidade, convivência e tradições familiares que atravessou gerações e continua vivo no Café do Lago Colonial, em Elias Fausto (SP). (Foto: Alexandre Richards | Revista Receita de Turismo)
Poucas tradições conseguem atravessar
gerações sem perder sua essência.
Por Alexandre Richards
O café colonial é uma delas.
Nascido nas antigas colônias de imigrantes
europeus do Sul do Brasil, ele resistiu às mudanças do tempo, atravessou
fronteiras, conquistou novos públicos e encontrou, no interior paulista, uma
forma própria de continuar vivo.
Não porque as receitas permaneceram iguais.
Mas porque sua essência nunca mudou. Continuamos precisando de lugares onde
seja possível sentar sem olhar o relógio, conversar sem interrupções e
transformar uma refeição em um momento de convivência.
Durante as vezes em que estive no Café do
Lago Colonial, percebi uma cena que se repetia quase todos os finais de semana.
Pouco antes do encerramento das atividades,
muitas famílias ainda caminhavam pela propriedade como se o passeio estivesse
apenas começando. Não havia pressa para ir embora. Alguns preferiam dar mais
uma volta ao redor do lago. Outros procuravam um banco à sombra das árvores
apenas para prolongar aquele momento.
Foi então que compreendi que o maior
patrimônio do Café do Lago não está apenas na mesa. Está naquilo que acontece
depois que ela é deixada para trás: na caminhada sem destino, na conversa que
continua, no silêncio interrompido apenas pelo canto dos pássaros e na
tranquilidade de um lugar onde ninguém parece disputar o tempo.
Cada visita oferece uma experiência
diferente. Em determinadas épocas do ano, as videiras se tornam protagonistas
durante a colheita das uvas. Em outras, são os girassóis que transformam a
paisagem. Mas existem cenários que permanecem o ano inteiro: os lagos, os
bosques, o pomar, os cavalos, o cheiro do café recém-coado e a sensação de que
a natureza continua ditando o ritmo daquele lugar.
Enquanto esta reportagem era concluída, uma
nova conquista reforçava a importância do trabalho desenvolvido pelo Café do
Lago Colonial. O empreendimento foi selecionado para participar do programa
Sabor de São Paulo, iniciativa da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de
São Paulo em parceria com a revista Prazeres da Mesa.
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Os bastidores dessa participação, os
encontros, as experiências e tudo o que acontecer durante o evento serão
contados em outra reportagem especial aqui no portal do Café do Lago Colonial.
Quando comecei a pesquisar a história dos
cafés coloniais, imaginava encontrar apenas receitas, datas e curiosidades
sobre a imigração europeia. Encontrei tudo isso. Mas encontrei algo muito
maior.
Descobri que algumas tradições permanecem
vivas porque continuam respondendo às necessidades do nosso tempo.
No primeiro capítulo desta série, contei
que a história do café colonial nasceu nas antigas colônias do Sul do Brasil
como um gesto de hospitalidade entre famílias e vizinhos.
Depois de percorrer essa história, visitar
o Café do Lago em diferentes momentos, conversar com quem construiu esse
projeto e observar centenas de pessoas vivendo essa experiência, cheguei a uma
conclusão.
A essência continua exatamente a mesma.
Mudaram as paisagens.
Mudaram as gerações.
Mudaram os caminhos.
Mas o café colonial continua cumprindo a
missão que recebeu há mais de um século: reunir pessoas.
E talvez seja justamente por isso que
algumas viagens terminam quando voltamos para casa.
Outras continuam vivendo dentro da gente.
E são essas que merecem ser lembradas.
Antes de encerrar esta série,
convido o leitor para um último exercício de imaginação.
Imagine que alguns daqueles imigrantes que
chegaram ao Sul do Brasil no início do século passado pudessem ocupar, por
alguns instantes, uma das mesas do Café do Lago Colonial.
Talvez reconhecessem imediatamente o aroma do
café recém-coado, o pão ainda quente, os bolos preparados com receitas de
família e o calor do fogão a lenha.
Provavelmente estranhariam algumas mudanças.
Afinal, o tempo passou. O café colonial atravessou gerações, percorreu centenas
de quilômetros e encontrou no interior paulista uma nova paisagem para
continuar sua história.
Mas bastaria permanecer ali por alguns minutos
para perceber que aquilo que realmente importava nunca se perdeu.
As famílias continuariam reunidas ao redor da
mesa.
As conversas seguiriam sem pressa.
As crianças ainda correriam livres pela
natureza.
O café continuaria sendo servido como um
convite para permanecer, e não apenas para ser consumido.
Talvez, depois de observar tudo isso em
silêncio, um daqueles antigos colonizadores apenas sorrisse e dissesse, em voz
baixa:
"As
paisagens mudaram... mas o coração do café colonial continua o mesmo."
Ou talvez completasse, olhando ao redor da
mesa:
"Enquanto
houver uma casa onde as pessoas sejam recebidas como família, nossa história
continuará viva."
Se essa cena pudesse realmente acontecer,
acredito que esse seria o maior reconhecimento que o Café do Lago Colonial
poderia receber: saber que uma tradição iniciada há mais de um século continua
sendo vivida com o mesmo espírito de acolhimento que lhe deu origem. Porque, ao
longo desta série, descobrimos que o verdadeiro legado deixado pelos pioneiros
nunca esteve apenas nas receitas.
Ele vive na hospitalidade.
Na mesa compartilhada.
No tempo dedicado às pessoas.
Na capacidade de transformar uma refeição em
lembrança e um encontro em memória.
O cenário mudou.
As gerações se sucederam.
Novos caminhos foram abertos.
Mas a essência permaneceu.
E talvez seja exatamente isso que transforma
um simples café colonial em um patrimônio vivo da nossa história.
(19) 97405-3355
alexandre.richards@gmail.com
Chave Stein – Cardeal, Elias Fausto/SP (2 km de estrada de terra – prefira o acesso pela Estrada Municipal de Elias Fausto)